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Foi iniciada esse ano a fase de testes do PedalUsp, sistema de empréstimo de bicicletas para a comunidade da Universidade de São Paulo, idealizado por alunos formado na Escola Politécnica. A história do projeto já foi contada em vários lugares, farei aqui apenas um breve comentário sobre alguns aspectos.

Foi feita uma primeira fase de testes apenas na Poli, bastante tímida. No entanto, contrariando a ideia inicial de não sair do campus, a segunda fase de testes ousou interligar o portão 1 (P1) da Usp com a nova estação Butantã da linha 4 do Metrô. Ou seja, o sistema começou a se tornar muito mais sério, mostrando a amplitude de visão e a habilidade de articular negociações dos idealizadores.

Associada a essa nova fase foi inaugurada uma rota ciclística, com trecho em ciclovia e trecho em via compartilhada com os carros, cujo padrão geométrico e construtivo deixa bastante a desejar, mas que mesmo assim cumpre bem seu papel. Ainda com uma série de pequenos problemas técnicos, tanto do software quanto dos componentes físicos, o uso tem sido muito intenso, demonstrando que há demanda.

 

A meta é instalar 10 pontos por toda a Cidade Universitária. Quando plenamente implantado, o serviço se tornará um grande alimentador da estação do metrô, trazendo-a de alguma forma para dentro do campus. A escala é bastante favorável ao uso da bicicleta, cujo melhor rendimento é em distâncias de até 5km. Ou, pra quem quiser uma medida mais sensível, longe demais pra andar a pé e perto demais pra pegar um ônibus.


foto aérea google earth da cidade universitária, com distância máxima de 4km a partir do metrô butantã.

Mais do que tudo, me agrada muito a ideia de bicicletas compartilhadas, sem a necessidade de ter que estacioná-la nem ficar preocupado com sua integridade. É muito mais cômodo do que possuir seu próprio veículo e ter de providenciar sua guarda, seja em casa, seja no destino. Trata-se de uma inversão na lógica de produção: o que é oferecido é o serviço, e não a posse de um objeto.

O projeto aposta no funcionamento do sistema sem necessidade de funcionários, a exemplo de sistemas europeus. O objetivo é, uma vez plenamente desenvolvido e implantado, o usuário realizará o empréstimo e devolução sozinho, o que já acontece hoje em casos normais. No entanto, parece uma aposta um pouco excessivamente otimista quanto ao nosso estado econômico, uma vez que a redução drástica de recursos humanos é característica do alto preço da mão de obra, situação ainda um pouco distante da nossa realidade. Apesar de alguns indícios de que o Brasil caminha nesse sentido, ainda temos o outro exemplo ciclístico do nossa bike (antigo usebike), que emprega um ou dois jovens por terminal e utiliza métodos bastante manuais associados a um sistema computacional.

Mas o aspecto mais importante na minha opinião é o fato do projeto ser a criação de um serviço gratuito que colabora para as demais atividades do campus, similar/complementar ao que é atualmente o sistema de ônibus circulares. São belos exemplos do que chamamos de infraestrutura: serviços que visam não um rendimento direto, mas dar suporte a outras atividades.

postado por kiyoto